Gisele entrevista ... THIAGO DIOGO

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Salve, Salve Caxiassssss

 

Meu entrevistado dessa semana é nosso querido Mestre de Bateria Thiago Diogo!! :DD

 

 

Foi muito bacana para mim, conhecer um pouco mais da história desse grande músico, toda sua trajetória no mundo do Carnaval, a rotina de ensaio e eventos da INVOCADA, a importância da Rainha de Bateria principalmente no dia do desfile e claro, saber um pouco mais da relação do nosso Mestre com nossa Grande homenageada Ivete Sangalo! Tenho certeza que vocês vão curtir tanto quanto eu! Como diz nosso Mestre, #PegaEsseLance!! hahaha

 

GC: Ninguém começa Mestre de Bateria né Thiago? rs Como foi sua trajetória até chegar ao patamar que ocupa hoje?

TD: A minha trajetória foi o seguinte. A minha avó era baiana do Salgueiro e como minha mãe trabalhava, era minha avó que tomava conta de mim e eu a acompanhava nos ensaios dela. Rapidamente comecei a participar da Escola Mirim que na época chamava-se Alegria da Passarela e tinham crianças que hoje tornaram-se Lucinha Nobre, Leonardo Bessa, que atualmente canta no Salgueiro. Comecei com 14 anos na Bateria da Acadêmicos do Salgueiro e com 16 anos eu já era Diretor de Tamborim. Lá tive o privilégio de conhecer e aprender com Mestre Louro, que hoje, mesmo já falecido ainda é o Mestre mais premiado do Carnaval. O acompanhei durante 2 anos na Caprichosos de Pilares como Mestre de Bateria Auxiliar e depois mais 2 anos na Porto da Pedra, quando ele veio a falecer. Sem eu saber, Mestre Louro me indicou para substituí-lo como Mestre de Bateria. E na Porta da Pedra, fiquei por mais 6 anos como Mestre.

 

GC: E sua relação com a Grande Rio? Quando chega na nossa Escola?

TD: Quando eu saí da Porto da Pedra, fui para União da Ilha, onde fiquei por 1 ano até receber o convite da Grande Rio em 2014. Estou indo portanto para o meu terceiro Carnaval na Grande Rio. E por mim, eu vou ficar aqui até quando a Escola quiser. Independente de proposta, hoje eu estou em casa. Eu me mudei para Caxias. Eu moro em Caxias. Eu ganhei um título de Cidadão Caxiense da Câmara dos Vereadores por serviço prestado. Aqui na Grande Rio, eu ganhei 4 pais que são nossos 4 presidentes. E eles estão sempre nos ensinando alguma coisa. É impressionante! Hoje em dia não é mais só uma questão financeira. Eu gosto daqui. Conseguimos implementar um trabalho que tem qualidade e essa busca do título confere ainda mais  responsabilidade. 

 

Foto: Divulgação Jornal O Dia.

 

GC: Você começou tocando qual instrumento?

TDMeu primeiro instrumento foi um tamborim. Depois eu me interessei ainda mais e hoje, eu toco todos os instrumentos de percussão. Eu não posso ser um Mestre de Bateria sem saber tocar os instrumentos. Como eu vou falar que alguém está errado se eu não sei fazer? Pra entender que a bateria pode fazer uma determinada bossa, eu mesmo faço primeiro, tocando. Aí eu consigo passar o que cada um vai fazer. Acho que isso me ajuda a me tornar mais respeitado entre os ritmistas também. 

  

GC: Algo que eu tive sempre muita curiosidade, é como se dá o processo de entrosamento da bateria com a melodia do samba enredo?

TD: As paradinhas ou também chamadas bossas são feitas de compassos. Então elas se encaixam perfeitamente em alguma parte do samba. Outras paradinhas, espero escolher o samba enredo para criar, pois a própria melodia do samba pode dar paradinha e eu crio muita coisa em cima disso. Como eu estudei música, piano, eu leio partitura. Então tenho uma formação toda musical e isso me ajuda a sempre tentar fazer uma leitura de audição de fácil entendimento para o jurado. Além disso, o funcionamento da bateria precisa auxiliar em um bom canto e evolução da Escola.

Cada ano eu crio um conceito de trabalho da bateria. Esse ano vamos apostar na musicalização da bateria com a letra do samba enredo. Então, por exemplo, na parte que fala: "Forroziei, pulei fogueira, viva são joão!", a bateria toca um forró... 

 

GC: De onde vem a influência para as criações das Bossas?

TD: Eu escuto todo tipo de música que voce pode imaginar. Ouço muito Djavan, sertanejo. Tudo me influencia. Por exemplo, teve um desfile na Porta da Pedra que o hit do momento era Bad Romance da Lady Gaga e a gente inventou uma paradinha em cima disso. No tempo do Salgueiro já fizemos uma paradinha com a trilha do Jornal Nacional. São ideias que vão vindo. Às vezes estou dirigindo e vem algum som na minha cabeça. Eu pego meu celular e gravo um solfejo (cantar um som) pra depois não perder ou esquecer. E as vezes, vou te dizer que só eu entendo o que gravei (risos). Esse processo de criação é muito interessante, às vezes até peço um minuto pra minha noiva porque estou criando algo na minha cabeça e ela me contando alguma coisa (risos). 

 

GC: Como se dá o trabalho do Mestre de Bateria? Quais são seus maiores desafios na função que exerce?

TD: O que muita gente talvez não imagine é que o Mestre de Bateria é um grande Gestor de Pessoas. Eu sou o elo de ligação deles com a Direção de Carnaval. Então tenho que ver o terno deles, a camisa da equipe de Apoio, bebida, transporte para levá-los aos eventos, ou seja, cuido de toda necessidade para que cada um consiga desempenhar sua função. 

A bateria é o lugar mais democrático do mundo. É o lugar onde você tem o rico tocando do lado do pobre, o homem do lado da mulher, do lado do homossexual. Temos ritmistas que esperam a janta que é servida após o ensaio, não porque quer ficar mais tempo com a galera, mas porque precisa daquela refeição. Muitos não têm o dinheiro da passagem para ir embora. Então o Mestre de Bateria termina sendo um pai. Eles dividem os mais diversos problemas comigo e qualquer necessidade que venham a ter. Eu tenho 4 afilhados por causa desse trabalho como Mestre de Bateria.  É conselho pra família, é conselho para molecada. Eu tenho ritmista de 14 a 80 anos.. (risos).

Mas o Mestre de Bateria é também como juiz de futebol (risos). Sempre vão xingar a mãe dele (risos). Porque até chegar aos 280 ritmistas oficiais da Invocada, vão tendo peneiras. Muitas vezes é o sonho do cara, mas nós temos que chegar a 280. E O Mestre que fica com essa árdua função de às vezes dizer "não".

 

invocada.jpegFoto: Gisele Curvello (2017).

 

GC: E quantas pessoas você gerencia hoje na INVOCADA?

TD: São 280 ritmistas, 20 Diretores e 30 pessoas no apoio. O pessoal do apoio carrega água, carrega baqueta. Nos apoia mesmo. A esposa de todos os os diretores desfilam e nosso Diretor de Carnaval Dudu Azevedo foi muito sensível em entender isso. Eu acho isso importante porque chega uma época que a gente passa mais tempo com a galera da Escola do que em casa. Isso é um fato. Então acho que nada mais justo que eles terem a oportunidade de mostrarem a suas esposas o trabalho deles. Eu sei que é difícil, que traz toda uma complexidade para o Diretor de Carnaval, mas eu sempre gostei disso. Acho que é uma junção de energias bem legal. Porque a pessoa sabe que sua companheira está ali perto. Acaba ajudando em alguma coisa. Alguém pode passar mal, pode precisar de um ajuste em um chapéu. E com elas, sabemos que sempre tem alguém para ajudar. O time fica grande? Fica. Tanto que quando você o vídeo da bateria, a bateria está sempre gigantesca., mas todo mundo tem uma função ali pra poder ajudar e a caminhada dar certo.

 

GC: Como se dá a organização desses Diretores na Bateria e como funciona o trabalho em conjunto com você?

TD: Cada naipe (instrumento) tem um Diretor. Então por exemplo, a Paula, é a Diretora de Chocalho. O chocalho é um naipe considerado pequeno porque temos 24 pessoas. O Fabinho é o Diretor de Tamborim, também considerado um naipe pequeno. Temos 36 pessoas. Na cuíca temos o Janderson e o Dema que deve ter mais de 20 anos de Grande Rio. Já Marcação por exemplo precisa-se de mais de um Diretor. Caixas, a mesma coisa. São 120 pessoas. Então não tem como colocar 2 diretores para liderar 120 pessoas. E assim por diante. Quanto a organização quando a bateria está toda armada são 28 filas de 10 pessoas. Dentro dessas 28 tem uma cruz onde todo mundo tem uma visão de como os Diretores estão comandando a bateria, passagem de sinais, etc.

Para o nosso trabalho, o apito nos auxilia bastante. Existem baterias que não utilizam apito, nós utilizamos. Então os silvos do apito são alertas. Qualquer emissão de som do apito, os Diretores olham para trás, já que ficam de costas para mim e aí eu transmito sinal, etc. 

 

GC: Se hoje uma pessoa que ingressar na INVOCADA? Como essa pessoa deve fazer?

TD: O cadastro dos ritmistas não é renovado automaticamente. Os ensaios começam sempre em Maio, conforme vão se destacando, o Diretor de cada naipe, leva o ritmista para fazer o cadastro. A partir daquele momento, o Diretor é responsável por aquele determinado ritmista que ele cadastrou. Qualquer desvio, falta, etc, o Diretor que é cobrado, não o ritmista. Quem coloca são sempre os Diretores. Eles colocam e eu tiro (risos). Porque já são muitos anos de Avenida. Eu sei com o que preciso me estressar e o que não preciso mais.

Mas antes de cortar alguém, eu ligo, pergunto o que está acontecendo. Se podemos ajudar de alguma forma. Não poucas vezes eu paguei a conta de luz de alguém...

O giro da bateria chega a ter 450 pessoas para definirmos 280 pessoas. Não definimos uma data específica para escolha dos ritmistas. Temos no total entre 9 e 10 meses de ensaio, conforme eles vão se destacando, vamos selecionando. Tem gente que continua ensaiando com a bateria mesmo depois de fechada. Depois que definimos os 280 ritmistas. Eu gosto disso. E muitas vezes é importante. Esse ano mesmo, 2 ritmistas não poderão mais desfilar. Então temos uma fila de espera. De gente que está qualificada e que pode vir tocar. 

Para 2017, temos uma novidade! Que vou dar a notícia em primeira mão!  Em Maio e Junho desse ano, nós iremos fazer inscrições para o Projeto Escolinha da Invocada. O grande foco desse projeto é formar pessoas, oxigenar a bateria, poder trazer caras novas e principalmente trazer pessoas de Caxias para tocar com a gente, que não seja tão difícil o deslocamento... Nossa bateria tem muita gente de fora de Caxias, mas Caxias é uma cidade! A Grande Rio, uma nação! Queremos aumentar a quantidade de caxienses na Invocada. Em frente à Quadra, temos duas comunidades. Então é mais uma forma de contribuirmos socialmente também. 

As inscrições serão gratuitas e só vamos aceitar inscrições de quem é de Caxias e quem tem a faixa etária que possa ser aproveitado na Invocada, caso se destaque dentro da Escolinha. Não é garantido que quem se inscreveu vá fazer parte da Invocada, mas aqueles que se destacarem no Projeto, com certeza terão sua oportunidade. Eu já fiz esse Projeto na Porto da Pedra e deu super certo. 

GC: E qual a faixa etária que pode tocar na Invocada?

TD: A partir de 14 anos. Abaixo de 14 anos temos a Pimpolhos.  

 

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  Foto: Arquivo Acadêmicos do Grande Rio.

 

GC: E o nome INVOCADA? De onde vem? Você pensou em mudar o nome da Bateria?

TD: Quem deu esse nome para Invocada foi o Luís Roberto, comentarista da Rede Globo que fazia a transmissão dos Desfiles. Em uma ocasião ele disse: "Pô, ouvindo essa bateria da Grande Rio...uma bateria INVOCADA. " (risos). E aí ficou. Eu ainda não era daqui, mas quando eu cheguei, me foi perguntando isso, se eu ia mudaria o nome da bateria. Eu não mudaria, pois cria-se uma identidade visual que o próprio ritmista se orgulha daquela ideia. Essa ideia acaba virando produto, camiseta, boné, o que também é bem legal! Eu não tinha porque mudar.

 

GC: Eu particularmente acho que o nome Invocada combina com você. rs Por esse jeitão grandão, de aparência forte. Você é um cara brabo, Thiago Diogo? rs

TD: Você sabe que por mais brabo que eu seja, eu acho que sou um dos que tem o coração mais mole ali (risos). Emerson (Dias, nosso intérprete) mesmo às vezes me vem me pedir a opinião de alguma coisa e diz: "Vou te perguntar porque sei que você é um cara justo." É aquilo, tem hora que se eu não der dois berros ali na bateria, vira bagunça. 

O cara que é cortado sempre vai achar que eu sou injusto, mas assim, a gente sai de casa para trabalhar. Pro ritmista muitas vezes se configura como uma válvula de escape, um divertimento, pra gente na Gestão, é trabalho. No Carnaval de 2016, por exemplo, de 12 baterias só 3 tiveram a nota máxima de 40 ponto: Grande Rio, Salgueiro e Imperatriz. Isso requer uma preparação, um cuidado maior, um rigor maior também e assim às vezes, eu fico com fama de brabo. rs

Se Deus quiser, Papai do Céu nos abençoar, a gente vai ser campeão esse ano e as pressões da gente mesmo tendem a diminuir. 

Agora, o que me tira do sério é bagunça. Acho que tudo demais não é bem vindo. Tudo tem sua hora. Água demais, por exemplo, mata a planta. As coisas precisam ser dosadas. 

 

GC: Tem muita gente que acha que Carnaval só acontece em Fevereiro/Março né Thiago? Como se dá a rotina de preparação da Invocada ao longo do ano para o Carnaval?

TD: De Maio até Julho temos ensaios 1 vez por semana, todas as terças. Geralmente em agosto começam as eliminatórias para escolha do samba enredo e aí já passamos para 2 ensaios na semana. Em setembro, outubro, quando é escolhido o samba enredo, já começam a ser 3 ensaios por semana: geralmente o ensaio da comunidade, o ensaio comercial e o ensaio só da bateria. A partir de dezembro já vamos para 4 ensaios por semana porque começam os ensaios de rua também. Fora isso pedimos ensaios extras, principalmente quando temos que passar algo importante. Mas a galera vem numa boa. 

 

GC: Vejo a bateria da Grande Rio ter muitos eventos, participação em programas. Acredito que esse ano ainda mais devido à Ivete. Música Boa ao Vivo, Programa da Xuxa, Casa do TVZ, Evento em Búzios... Como você encara esse lado mais midiático? E como organizam a bateria? 

TD: Encaro como meu trabalho. Quando eu saio de casa para tocar, eu saio para trabalhar. Temos que fazer o nosso melhor em cada apresentação. Todas precisam ser em um nível legal. A gente carrega o nome da escola! Eu sei que tem uma cidade nos assistindo, então precisamos sempre dar nosso melhor. Já fazíamos muito evento em anos anteriores. A Grande Rio já carrega um nome forte. Agora claro, que pelo fato da Ivete ter mergulhado de cabeça nesse projeto, fizemos ainda mais participações.

O que é muito bacana nesses programas, é que o meu casamento com Emerson é muito legal. A gente cuida muito um do outro. A gente se entende no olhar. Então temos um entrosamento muito bom. Essa empatia rola e a gente já inventa a bagunça que vai fazer em cada lugar que vamos nos apresentar. Eu o conheci ainda no Salgueiro e lá se vão muitos anos de amizade.

Para esses eventos, não levamos toda bateria. Temos um grupo de show que tem em torno de 40 pessoas. E essas pessoas são definidos muito de acordo com a disponibilidade. Aquele que não trabalha principalmente. Porque nos apresentamos horários diversos, a gente precisa viajar.

Mas não é só em programa de TV que tocamos não. A gente toca em qualquer lugar. Desde o Hotel 5 estrelas até o calçadão de uma cidade distante. 

 

GC: Qual a importância da Rainha de Bateria para o Desfile?

TD: A Rainha tem uma função muito importante. Porque no momento que estamos defendendo a nota na frente dos jurados, ela está nos apresentado. Está saudando o juri também. Quando a gente está parado e abre-se um espaço técnico, ela preenche aquele espaço com sua leveza dela, graciosidade, samba no pé.  A Rainha faz parte da Bateria. Nós precisamos das Rainhas.

 

GC:  E como se dá especificamente a relação do Mestre Thiago Diogo e da bateria com a atual Rainha da INVOCADA, a lindíssima atriz Paloma Bernardi?

TD: Já vamos para o nosso segundo Carnaval com a Paloma. O que eu posso dizer é que ela é um ser humano diferenciado. Ela é sempre doce. Está sempre presente dentro da sua agenda super atribulada. Para você ter uma ideia, às vezes a gente inventa de fazer umas loucuras, tipo um ensaio em um lugar estranho, em um horário esquisito e ela está lá. Marcando presença firme e forte! A gente se fala por Whatssap. Estou sempre falando alguma novidade pra ela. Passando as informações importantes como alguma coisa ou momento que a gente precise que ela preste atenção. Enfim, ela está sempre com a gente. São poucas pessoas que são como ela. Ela tranmite isso pra gente. Uma paz...

 

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 Foto: Roberto Filho (2017).

 

GC: Os dias que antecedem o carnaval. Como são? E como vai ser sua preparação para o dia dos desfile?

 

TD: Vou ficando mais meio bicho do mato, vou falando pouco e anoto tudo para não esquecer nada e vou só conferindo o que falta. Ao mesmo tempo, eu sou um folião. Então eu vou para o Desfile do Grupo de Acesso, apresento as baterias que os Mestres me convidam. Mas no dia mesmo do desfile da Escola, eu acordo sempre o mesmo horário, como sempre a mesma coisa, faço as mesmas coisas. São 10 anos assim. No café da manhã já estou comendo massa, purê de batata porque próximo ao desfile não como mais nada. Eu vou falando muito pouco ao longo do dia e cada vez menos conforme o horário se aproxima. Pouca são as pessoas que eu atendo. Só eu arrumo a minha roupa e depois que eu troco de roupa eu não falo com mais ninguém, eu não abraço mais ninguém. Porque eu preciso estar focado. Eu passei o ano inteiro esperando por aqueles 75 minutos. Eu tenho a confiança do Dudu (Azevedo, nosso Diretor de Carnaval) e do Emerson pra ser o cara que dá o "start". Então eu tenho muita responsabilidade. E quanto mais focado eu fico, mais difícil será de eu comentar algum erro. 

Eu sei as coisas acontecem segundo a vontade de Deus, mas eu sei também que boa sorte é pra quem não se prepara. Eu só peço três coisas para os meus diretores: estejam atentos, se divertiram e independentemente de qualquer coisa, fiquem tranquilos. Porque para resolver qualquer problema, a gente não pode estar estressado. Se estiver tranquilo, porém atento, você pode se divertir. Na verdade a gente só está saindo da Quadra e fazendo um trabalho com a Sapucaí cheia.

 

GC: A expectativa aumentou depois do ensaio técnico?

 

TD:  Eu nunca tinha participado de nada com aquela proporção. Eu acordo todo dia e envio a mesma mensagem para os meus Diretores: "Bom dia senhores diretores, hoje é dia de matar mais um leão. Se a gente não matar o leão de hoje, amanhã nós temos mais dois pra matar." Nós nos preparamos? Sim! Mas tem mais 11 escolas que a gente respeita e que também estão se preparando. Mas eu vejo uma comunidade que está guerreira. Eu vejo a escola muito madura para o campeonato. As pessoas entendem a responsabilidade de cada uma delas. Da gente levar esse título pra Caxias! Eu acho que está na hora! Pela trajetória que a Grande Rio tem, acho que esse ano estamos muito bem preparados e se Papai do Céu abençoar a gente vai levar esse titulo pra Caxias!

 

GC: Eu não posso deixar de perguntar sobre os seus jargões. rs De onde vieram?

 

TD:  Eu comecei a usar meio que sem querer o "Pega Esse Lance" (risos). Ao invés de falar "Se liga aí" , eu comecei a falar Pega Esse Lance. E aí, pegou! (risos). Depois vieram os outros como: "Tá bom de açúcar?" e "Segura essa fofoca" . Até Ivete falou no ensaio técnico: "Mestre, pega essa fofoca (gargalhada)." O negócio deu tão certo, que eu sou um Micro Empreendedor Individual e eu estou correndo atrás de registrar a minha empresa com esse nome. Além disso eu e o Emerson, temos um Projeto musical que já temos até algumas coisas gravadas e já cogitamos dar esse nome ao projeto também.

 

 

GC: Você tocou no nome da Ivete Sangalo e minha última pergunta é sobre ela. Vejo muitas fotos de vocês dois juntos e percebo o carinho enorme que ela tem tratado todos vocês. O que significa essa relação para você?

TDNão existe hoje um adjetivo capaz de ilustrar o que é Ivete Sangalo. A energia que ela tem, o coração. Ela fez uma coisa por mim que nunca mais em vou esquecer na minha vida. Brevemente vocês vão saber dessa "fofoca"(risos). Eu fui fazer um pedido pra ela e prontamente ela me atendeu e eu sei que foi algo difícil, mas mesmo assim, ela me atendeu e eu nunca vou poder esquecer o que ela fez por mim na minha vida.

O carinho que ela tem com a gente, com a Escola. Ela está levando o samba para praças diferentes, locais que a gente nunca imaginou estar. Ela veio para coroar esse momento tão preparado, tão maduro que a Grande Rio está. Acho que vai ser uma homegame lindíssima e justíssima porque hoje ela é sem dúvidas a maior cantora do Brasil e uma das maiores do mundo. Mas apesar disso, ela é só um ser humano que não dá vontade de deixar de ficar perto. Ela tem a doçura, mas tem um furacão que não para. E ela acompanha tudo que a gente posta, ela curte todas as fotos. Eu me pergunto: "Como ela tem tempo pra isso?" Mas ela faz. Isso para você ver o quanto ela é participativa e quanto isso é verdadeiro. Me faltam palavras para falar. Papai do céu foi muito caprichoso quando cruzou os nossos caminhos. E eu acho que isso é uma coisaa que vai durar por muito tempo porque além de fã, a gente virou amigo. Nós (Grande Rio) estamos vivendo um dos momentos mais especiais na Escola e ela está junto com a gente.

GC: Ela entrevista foi concedida antes da Feijoadíssima da Grande Rio, e não foi que que assim que Thiago Diogo entrou no palco e foi cumprimentar Ivete, ela disse: "Não vai sumir depois do carnaval não, hein?!". Acho que está realmente respondido que essa não será uma amizade de Carnaval. 

 

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GC: Thiago, eu queria deixar um espaço para você deixar uma mensagem.

TD: Quero deixar aqui o meu carinho a cada um dos meus ritmistas, diretores, apoio. Ao Dudu Azevedo, à Harmonia, à Comunidade. Eu sou um cara muito feliz de poder desenvolver um trabalho que me dá tanta satisfação. O Thiago Diogo é um time, não é uma pessoa. Eu posso ter ideias, posso ser o gestor, mas juntos somos uma engrenagem. E eu sou muito feliz de poder estar onde estou, fazer o que eu faço com as pessoas que estão a minha volta. É muito gratificante e tenho muito orgulho de trabalhar com o time que trabalho. Como cada um é bom no que faz!! Eu espero mesmo que Papai do Céu possa abençoar nossa caminhada. A gente se preparou pra isso, tem um grande enredo, tem um grande carnaval e uma comunidade preparada, madura pra isso. Que na quarta feira de cinzas a gente comemore esse sonhado título que a gente se preparou tanto para buscar.

 

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  Foto: Gisele Curvello (2017).

 

Thiago Diogo, o meu mutíssimo obrigada por esta entrevista!!! De coração que para mim foi um prazer conhecer o tanto da sua história e ver o quanto você é um cara responsável, trabalhador e focado! Que você alcance tudo aquilo que almeja! 

 

Eu já tenho uma lista de próximas pessoas que eu gostaria de ter o privilégio de entrevistar, mas queria saber de você também! Quem você gostaria de saber mais sobre a vida profissional e a relação com a Grande Rio? Escreve pro meu This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it. ou deixa um comentário no meu instagram: @gisecurvello com a sua sugestão!

 

Beijos tricolores!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Samba enredo 2017 GRANDE RIO