Série Quesitos - Alegorias e Adereços

Alô Caxias!

 

Hoje na Série Quesitos vamos conversar sobre Alegorias e Adereços! Primeiro entender porquê o Quesito não se chama Carros Alegóricos (essa é uma dúvida que eu, particularmente, sempre tive antes de estudar escola de samba! rs) e depois conhecer sobre o processo de construção dessas verdadeiras obras de arte coletiva!

 

Eu tenho certeza que a maioria não tem ideia de toda engenharia e a quantidade de etapas e profissionais envolvidos com diferentes expertises até chegar na riqueza do que é mostrado na Sapucaí. Então cola comigo que eu vou te apresentar um pouco desse universo espetacular!

 

Para começar eu trago uma informação que a LIESA já divulgou desde Maio do ano passado, mas que será inovação no carnaval 2017. A quantidade máxima de carros alegóricos que uma escola pode trazer diminuiu de 7 (sete) para 6 (seis). Houve redução também no tempo de desfile que passou de 82 para 75 minutos e com isso a transmissão do desfile começará às 22:00 horas e não mais às 21:30h.

 

Sanando o primeiro dos questionamentos que provoquei quanto à alegorias versus carros alegóricos, trago o Manual da LIESA (2017) que diz que Alegoria compreende qualquer elemento cenográfico que esteja sobre rodas. Sendo assim, este quesito não poderia se chamar carros alegóricos, porque de acordo com a definição estão englobados também no julgamento desse Quesito, os tripés, montados sobre 3 (três) rodas e não sobre chassis de carros e caminhões como os carros alegóricos. Uma outra diferença também é que os tripés só podem ter no máximo 2 (dois) componentes sobre cada um deles.

 

Além disso são julgados nesse Quesito também, os adereços que segundo o Manual da LIESA (2017) compreende a qualquer elemento cenográfico que não esteja sobre rodas. Exemplos são os adereços de mão que os componentes carregam presas ao braço e que ajudam na Evolução da escola. 

 

Para conceder notas de 9,0 (nove) a 10,0 (dez) pontos neste Quesito, o julgador deverá considerar, quanto à:

- CONCEPÇÃO (valor do sub-quesito de 4,5 a 5,0 pontos): a concepção e adequação das Alegorias e dos Adereços ao Enredo, que devem cumprir a função de transmitir as diversas partes do conteúdo desse Enredo, e a criatividade que deve necessariamente possuir significado dentro do Enredo.

- REALIZAÇÃO (valor do sub-quesito de 4,5 a 5,0 pontos): a impressão causada pelas formas e pelo entrosamento, utilização, exploração e distribuição de materiais e cores; os acabamentos e cuidados na confecção e decoração no que se refere ao resultado visual, inclusive das partes traseiras e geradores; e os destaques e figuras de composição (pessoas fantasiadas que muitas vezes desenvolvem algum tipo de encenação em cima dos carros complementado o motivo do carro alegórico) que devem ser julgados como parte integrante da Alegoria.

As escolas devem ser penalizadas nesse Quesito se deixarem exposto pedaços de fantasias, escadas, caixas, isopores ou qualquer outro tipo de objeto estranho ao significado das Alegorias e Adereços apresentados no desfile e se apresentarem geradores integrantes das alegorias sem que estejam embutidos ou decorados.

 

Partindo para segundo propósito dessa matéria que é apresentar o processo de construção desses carros, eu me arriscaria a dizer que resumidamente podemos elencar 8 (oito) etapas principais. 

 

A primeira delas é feita entre o carnavalesco e o cenógrafo, que no nosso caso na Grande Rio há 4 anos, traduz-se em Fabinho e João Torres, cenógrafo que trabalha com o Fabinho há 5 anos.

Esta é a fase de concepção da Alegoria, quando deixam toda criatividade vir a tona, discutem sobre que tipo de materiais utilizar, sobre possíveis inovações tecnológicas, que tipos de movimento mecânico o carro poderá vir a fazer, entre outros.

 

Findada essa etapa, é hora de traduzir essas ideias para o papel e para isso são feitos projetos para cada alegoria, com plantas de engenharia desenvolvidas em softwares como o AutoCad, além dos projetos artísticos.

 

Para facilitar o entendimento, eu trouxe projetos de Carnavais anteriores (que eu não vou acabar com a surpresa dos desse ano, né?! rs) para você conferir como o trabalho é complexo!!

 

   Figura 01: Planta Baixa - Projeto João Torres - Carro 3.

planta carrom 3.jpg

Fonte: Grande Rio.

 

 

Figura 02: Projeto Artístico - Carro 3.

Captura de Tela 2017-01-24 às 15.17.53.png

FonteGrande Rio.

 

Durante essa etapa é necessário também fazer um Mapa dos Destaques que desfilam com fantasias especiais geralmente produzida com muita pena e brilho.

 

Figura 03: Mapa de Destaques - Carro 3. 

Captura de Tela 2017-01-24 às 15.05.22.png

FonteGrande Rio.

 

Para dar conta de todo esse trabalho o Fabinho e o João contam com a ajuda das designers gráficas Maria Luiza e Danielly Valente que compõem juntamente com os dois a equipe de Criação.

 

Figura 04: Daniele Valente, designer gráfica.

Dani.JPG FonteAutora, 2016.

 

Uma vez concluídos os projetos, dá-se início ao processo de construção propriamente dito das Alegorias. E a terceira das oito etapas que mencionei acima é o trabalho da equipe de Ferragem. Sua função é construir os chassis e estruturas básicas, feitas em tubos e vergalhões de ferro, das alegorias. Como o cenógrafo João Torres gosta de carinhosamente chamar, é o esqueleto do carro alegórico. São os ferreiros também os responsáveis por executarem os eventuais movimentos mecânicos que a alegoria possa apresentar.

 

A quarta etapa a entrar em cena é o trabalho da Carpintaria. Sua principal função é dar forma básica à alegoria, visto que a estrutura é constituída de ferros. A madeira irá justamente, quando for o caso, cobrir a estrutura de ferro. A espessura dessa madeira utilizada irá variar de acordo com a finalidade a que se destina. Se forem dar forma de parede e outros elementos decorativos não precisam ter a mesma resistência que locais que servirão como "chão" para os destaques e composições (aquela galera super animada que vem em cima dos carros geralmente dançando e fazendo coreografias).

 

A quinta etapa é constituída pela equipe da Escultura e Fibra de Vidro.

 

A partir daqui as etapas não são feitas como uma sequencia, mas vão sendo construídas em paralelo.

Os escultores criam os elementos tridimensionais como grandes bonecos ou objetos que irão compor a alegoria a partir de blocos inteiros de isopor. Seu trabalho resulta em verdadeiras obras de arte. Caso necessite de reprodutibilidade, ou seja, que seja feita mais de uma peça daquele determinado elemento, a peça é reproduzida em fibra de vidro, entrando em ação uma outra gama de profissionais. 

 

Em ambos os casos, peça única ou reprodução em fibra de vidro, é essencial a execução da sexta etapa denominada Empastelamento que constitui em recobrir toda a escultura com papel e cola branca. Para as esculturas peças únicas, essa etapa é importante, porque o papel não permite que a massa corrida branca que recobrirá a escultura se solte da mesma. A cobertura em papel confere aderência da massa corrida à escultura em isopor. Essa massa corrida é importante para os pintores de arte, cujo trabalho explico mais abaixo.

Já para as peças que são repetidas diversas vezes em fibra de vidro, o papel é essencial pois ele permite que a resina, utilizada no processo químico da fibra, não destrua o isopor. Sem ele, como diz Graziela Freitas, uma das responsáveis pela etapa do Empastelamento, a resina "comeria" o isopor.

 

Figura 05: Etapa do Empastelamento.Captura de Tela 2017-01-24 às 16.04.19.pngFonteGrande Rio, 2017. 

 

A sétima etapa aborda a pintura de arte, que irá cobrir com tinta os elementos de madeira e as esculturas já finalizadas. Os pintores de arte possuem a incrível aptidão de recriar os diferentes materiais que revestem a alegoria, tais como, mármore, pedra, rachaduras, etc. 

 

A oitava e última etapa é constituída pela equipe de adereçaria e iluminação. A adereçaria é responsável pelos detalhes e revestimento final da alegoria como inclusão de brilhos, pedras, paetês, galões, rendas, entre outros. Já os iluminadores são os responsáveis por realizarem a instalação elétrica, lâmpadas, refletores e leds que conferirão ainda mais beleza à Alegoria.

 

Todas essas etapas resultam em um grandioso trabalho como esse ilustrado na Figura 06, um belíssimo carro alegórico do Carnaval 2015, Enredo A Grande Rio é do Baralho, assinado por Fabio Ricardo.

 

Figura 06: Projeto Artístico - Carro 3.carnaval-rio-2015_desfile_da-escola-de-samba_grande-rio16022015_39.jpg

Fonte: André Freitas, AgNews - 2015.

 

E aí meus amigos?! Gostaram de conhecer um pouco mais sobre a nossa fábrica de sonhos?! Nos resta agora, esperar domingo de Carnaval, dia 26 de Fevereiro, para conferir as alegorias desse ano que contarão a trajetória da DIVA, Ivete SangaloS2

 

Ficou com alguma dúvida ou quer sugerir alguma pauta, escreve pra mim no email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou no meu instagram criado especialmente para essa comunicação e divulgação:  @gisecurvello. Tem muito conteúdo bacana sobre a nossa comunidade lá! 

 

Beijos tricolores,

 

Gisele Curvello

 

 

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Fontes de pesquisa:

LIESA. Manual do Julgador, 2017. Disponível em: http://liesa.globo.com/material/carnaval17/regulamento/Regulamento%20Carnaval%202017%20-%20LIVRO.PDF

FERREIRA, Felipe. Traduzindo o Enredo: O processo de produção das escolas de samba. Disponível em: KAMEL, José Agostoo. Engenharia do Entretenimento: Meu vício, minha virtude.

Samba enredo 2017 GRANDE RIO