Gisele entrevista ... EMERSON DIAS

 

Alô Caxiasssssss

 

Para quem já está acostumado a ler as matérias da coluna Alô Comunidade, noticio em primeira mão, que agora temos mais um cantinho para nos encontramos...por aqui na Coluna Entrevistas! :D

 

Pretendo trazer bastante gente bacana para contar um pouquinho mais sobre o trabalho que exerce, sua relação com o Carnaval e claro, com a nossa amada Grande Rio!! E para estrear com chave de ouro essa minha empreitada como entrevistadora, bati um papo maravilhoso com o nosso querido, estimado, amado intérprete EMERSON DIAS!!!  Uowwww \o/

 

Confere aí que está legal no último grau!! :DD

 

GC: Como você se tornou intérprete? Era um desejo desde criança?

ED: A minha família ela é toda de Carnaval. O meu avô foi fundador de uma escola de samba chamada Lins Imperial e aí está toda minha raiz de samba. Tinha um tio que era cantor e com ele fui cantar em uma disputa de samba no Salgueiro com 16 anos. Ali Mestre Louro, Quinho e outros grandes intérpretes me viram cantando. O samba acabou sendo campeão e a partir dali, eu passei a integrar o carro de som do Salgueiro.

GC: E olha que bacana gente! O Emerson dividiu com a gente aqui uma curiosidade que muitos não devem saber! Ele não tem o sobrenome Dias na certidão de nascimento. Ele adotou esse sobrenome como nome artístico em homenagem ao avô Antônio Dias, precursor do mundo do samba na família do Emerson. Bonito né? S2

 

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GC: E como você ingressou na Grande Rio?

ED: Desde 1992, quando ingressei no carro de som do Salgueiro, passei a cantar com o Quinho. Em 2001, a Grande Rio o contratou para ser intérprete da escola e ele quis levar uma pessoa de confiança dele, me ligou, fez o convite e eu aceitei. Assim vim para a Grande Rio.

A primeira vez que estive na escola foi em uma disputa de final de samba e ali eu já tive uma impressão muito boa da escola. Já senti um clima extremamente familiar. Tanto que em 2003, quando o Quinto saiu da escola e me chamou para ir com ele, eu já não aceitei. Preferi ficar na Grande Rio. Eu tinha encontrado o meu lugar.

 

GC: E desde que ano você se tornou o intérprete oficial da Grande Rio?

ED: O Quinho saiu e vieram outros grandes intérpretes como o Wander Pires e Bruno Ribas. Em 2008, aconteceu um episódio muito marcante. Foi o ano que o Wander Pires, intérprete oficial da escola na época, se atrasou para o desfile e eu assumi a posição de intérprete oficial pela primeira vez aquele dia a pedido do nosso Presidente de Honra Jayder Soares. Eu acredito que toda minha preparação como cantor de base, que já tinha feito muita Quadra até aquele dia, me ajudou muito a não titubear, a responder para nosso Presidente: Assumo perfeitamente. Mas apesar desse desafio que a vida me propiciou, eu não quis usar aquele episódio como trampolim, pois o meu sonho era que as pessoas soubessem quem eu era, que as pessoas conhecessem a minha voz, que as pessoas soubessem que quando a Grande Rio entrasse, era o Emerson que estava cantando e naquele dia eu sabia que estava apagando um incêndio.

Em 2009, chegou o Wantuir para assumir o posto de cantor oficial. E em 2013, depois de muito crescimento principalmente ao longo do ano de 2012, fui convidado pelos nossos presidentes Jayder, Leandro, Helinho e Perácio a assumir o posto de intérprete oficial da Grande Rio. E eu não queria ser cantor de outro lugar, eu queria ser cantor da Grande Rio.

 

IMG_0127.jpg Foto: Gisele Curvello (2017). 

 

GC: Em 2014, você ganha o Estandarte de Ouro de melhor intérprete do Grupo Especial. Como foi isso só um ano depois do seu início como cantor oficial?

ED: Eu tinha certeza que as coisas iam acontecer. Eu me preparei durante todos os anos anteriores para isso. Eu custeava minhas roupas, meu professor de canto, minha fonoaudióloga. Eu sabia que era questão de tempo para me tornar o cantor oficial. Mas é claro que em 2013, quando nossos presidentes decidiram pela minha escolha, sempre tem aquele tensão: será que vai dar certo? Se em 2013 eu passei pela prova de fogo, em 2014, quando ganhei o maior prêmio da categoria, veio a certeza de que eu e a escola tínhamos feito a escolha certa. Eu só pensava: valeu a pena todo esse tempo de espera, valeu a pena todo esse tempo de dedicação.

 

GC: Hoje você sendo o cantor oficial, como é sua relação com a equipe de base? Você que define a sua equipe?

ED: Eu tenho toda liberdade e confiança para montar o meu time. De 2013 para cá, eu só deixei de ter ao meu lado uma pessoa e porque ela se tornou evangélica (risos). Para você ter uma ideia, somos oficialmente 8 cantando, mas eu tenho 16 pessoas comigo em cima do carro de som (risos). Eu não tiro a pessoa do meu lado, eu vou somando (risos).

A equipe é essencial para que o intérprete consiga exercer o seu papel de ser o combustível para o folião que entra na Sapucaí. Muitas vezes o desfile já começou, mas o componente que está em uma Ala mais atrás ainda nem viu, então eu preciso dizer a ele: Vamos lá amigo. Chegou o seu momento! E para eu fazer isso preciso essencialmente da equipe de base, que irá segurar o "rojão".

Eu esperei quase 20 anos para minha hora chegar eu os incentivo que queiram estar no meu lugar e busquem com trabalho, não é preciso passar a perna em ninguém. Graças a Deus eu tenho uma equipe não só de profissionais mas de amigos!

 

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 Foto: Gisele Curvello (2017).

 

GC: Você tem vontade de cantar outro estilo musical? De gravar um CD?

ED: Nunca tive essa pretensão, pois sou apaixonado por samba e carnaval. Mas ao mesmo tempo, vejo que estou em uma crescente muito boa, então se de repente eu puder conciliar, sem que atrapalhe meu ofício real que é ser cantor da Grande Rio - e eu falo Grande Rio, porque não tenho vontade de ir para outra escola ou de cantar em outro lugar. Aqui eu tenho uma família - pode ser que eu avalie. Sei de algumas coisas que tenho, como presença de palco, carisma, sei conduzir uma multidão...poderiam ser coisas que me ajudariam.

 

Também já compus. Participei da composição dos samba-enredo da Grande Rio nos anos de 2008, 2009 e 2010.

 

GC: E você dedica o seu tempo exclusivamente a cantar na Grande Rio? Ou você tem outra profissão?

ED: Eu trabalho numa multinacional. Numa mega operadora de telefonia celular como Técnico em Telecomunicações. Eu vivo pendurado nas torres de telefonia da cidade. (risos) Eu e nosso Diretor de Carnaval Dudu Azevedo, que é um irmão de outras vidas para mim, que era quem me levava para vários eventos e dava canja comigo na Quadra. Isso bem antes de ser Diretor da Grande Rio. E ele já trabalhava nessa no ramo e me indicou. Em 2014, a multinacional que trabalhamos hoje, descobriu que eu era artista e até o Presidente Mundial da empresa me mandou email me parabenizando pelo trabalho que desenvolvo na empresa e me desejando boa sorte no Carnaval (risos). Foi muito bacana.

Além disso, a projeção que a Grande Rio me deu me ajuda no meu trabalho porque eu vou abrindo portas que antes eram tão difíceis entrar (risos). Como tem muita estação dentro de condomínio às vezes o acesso é dificultado, mas aí eu chego e eles perguntam: "Mas você não é o cantor da Grande Rio? Aqui você tem portas abertas para fazer o que você quiser"(gargalhadas). 

 

GC: Como você cuida da voz?

ED: Faço aulas de canto 1 vez por semana, fonoaudióloga também 1 vez por semana. E isso, durante o ano inteiro, não só no período de carnaval não. Além disso, faço exercícios de sopro para dar peso no diafragma e muita nebulização com soro fisiológico pois o soro hidrata as cordas vocais. A hidratação faço todo dia, inclusive ando com o soro e o nebulizador que é a pilha e portátil no carro. Vou dirigindo e fazendo nebulização (risos). Eu preciso conciliar meus dois trabalhos. 

 

GC: Eu sempre vejo você cercado de muitas fãs. Tanto na Quadra, quanto nos eventos da escola. Como se dá sua relação com fã? Você tem fã clube?

ED: Faço questão de dar o máximo de atenção possível para todos que me procuram. Eu gosto muito de cantar e sei que as pessoas vão ver os artistas da Escola como o Thiago Diogo, a Verônica, o Daniel e a mim também. Eu estou sempre rodeado de muitas crianças também. E eu tenho uma veia meio Peter Pan. Eu adoro esse contato.

Tenho um fã clube sim. A Cris e o Douglas são os criadores e fundadores do fã clube Emerson Dias. Eles alimentam e postam fotos, minha agenda. Isso é maravilhoso! Eu valorizo muito!

 

GC: E para o Carnaval 2017? Como está a expectativa?

ED: Em 2017, eu tenho a responsabilidade de conduzir o samba sobre Ivete Sangalo, que se não for a cantora mais popular do Brasil, é uma das. Desde o primeiro dia em que ela esteve na Quadra, que inclusive foi uma noite de grande temporal e enchente em Caxias, ela já mostrou tudo o que ia fazer porque ela se integrou a gente de uma tal forma... Naquele dia do anúncio do enredo, ela já chegou transmitindo toda a energia dela. Ela foi pro palco, ela cantou, ela dançou, ela sambou. E em um determinado momento eu pedi a Feiticeira: Será que ela falava o "Ei, psiu!" E ela não só falou, como disse: "Ei, psiu! Ivete é Grande Rio!" E a partir daí o que era minha marca registrada, virou sinônimo de Grande Rio a nível nacional.

E agora, depois de tudo o que aconteceu no ensaio técnico, a expectativa só aumentou. A Sapucaí veio abaixo cantando nosso samba. Ouso a dizer que acredito que desde 2001, com o samba sobre o Silvio Santos, um samba enredo não é tão divulgado. O que aconteceu no ensaio técnico foi um momento único. Um dos maiores momentos do carnaval carioca na Marques de Sapucaí. Eu acho que a Escola merece, que a Ivete merece, acho que por esse tempo todo também que eu passei, eu também mereço (risos). Estou confiante. Eu acho que chegou a nossa hora!

 

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 Foto: Allan Duffes (2017).

 

GC: Já tocou no assunto das minhas duas últimas perguntas. rs Que é sobre o Ensaio Técnico e Ivete Sangalo. rs Eu quero te perguntar como tem sido sua relação com a Ivete ao longo desse período pré-carnaval e se te impressionou ela cantar do começo ao fim do ensaio técnico nosso samba-enredo. Porque sei que ela está acostumada a cantar 5, 6 horas em cima de um trio elétrico, mas não a mesma música, né? Isso te impressionou?

ED: Vou começar pela última pergunta então. Me impressionou muito. Ela não é cantora de samba-enredo. Cantar samba é muito particular. Você precisa de muita força, as divisões também são bastante diferentes. Mas depois de duas passadas, a Ivete já estava cantando como eu (risos).

Sugerimos que ela fizesse o lamento (início da escola): "E lá vou pé na estrada, e lá vou meu amor..." Mas ela não só fez o lamento, muito emocionada inclusive, como não largou mais o microfone. Quando deu 10 passadas ela me deu um tapinha e disse: Vou dividir os "cacos" também com você, as "chamadas" rs e assim ela fez. Foi sensacional.

Ela podia ficar no patamar de homenageada, mas não. Ela mergulhou de cabeça. Fez questão de levar a Grande Rio para todos os lugares onde ela fez show. Isso não é só bom pra Grande Rio não. Isso é bom para o samba em geral.

Ela fez uma participação especial no show do Wesley Safadão e ela fez uma inserção para nós cantarmos o samba da Grande Rio. Nós cantamos o samba da escola pra 90 mil pessoas no Vila Mix. E as pessoas cantando o samba. Teve também a propaganda da Tele Sena cuja trilha sonora foi o samba da Grande Rio com parte da equipe presente: eu, Thiago Diogo, Verônica, Daniel. Acho que Ivete e Grande Rio formaram uma parceria que deu super certo!

 

Quanto a minha relação com ela tem sido de muita admiração. Eu cantar junto com ela alguns dos seu maiores sucessos como Festa no gueto, Poeira, Levada louca isso no ensaio técnico ainda no setor 1 e chegar na Apoteose e ainda cantar O Doce, Tempo de Alegria e Chupa Toda...Eu cantei os maiores sucessos da Ivete Sangalo com ela! (risos). Isso são momentos únicos. E ela é uma pessoa tão especial que enquanto passávamos na Sapucaí, eu avistei minha mãe e comecei a mandar beijo e corações de cima do trio e a Ivete perguntou: Quem é? Eu disse: Minha mãe. Aí a Ivete: Alô mamãe! Ele é massa! (gargalhada). O vídeo dela falando está no meu Instagram. O que falar de uma pessoa dessas? Não tem o que falar. Só agradecer. 

 

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 Foto: Tamur Aimara (2016).

 

 

Emerson, querido!! Eu queria agradecer imensamente a você por ter me concedido essa entrevista!! Foi uma entrevista de 45 minutos!! :O Porque a gente gosta muito de falar!! hahaha Obrigada pelo carinho e confiança! Te dedico!! 

 

Gisele Curvello

 

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Samba enredo 2018 GRANDE RIO