Fogo Destrói barracão mas não acaba com a força da Grande Rio

Na manhã da última segunda-feira, dia 07 de fevereiro, o Rio de Janeiro amanheceu mais triste. Um incêndio, cujas causas ainda não foram descobertas, destruiu completamente o barracão da Grande Rio, na cidade do samba, zona portuária do centro do Rio. O fogo também atingiu os barracões da União da Ilha e da Portela.

 

O incêndio, que durou cerca de 3 horas, iniciou-se no galpão cultural da Liga das escolas de samba (LIESA), se alastrou pelos barracões da União da Ilha e Portela, destruindo parte desses barracões, até que atingiu o da Grande Rio, destruindo-o totalmente. Cerca de 3.300 fantasias foram queimadas, além de todos os 7 carros alegóricos que a escola de Caxias levaria pra Avenida, os arquivos da escola, parte de sua história de 23 anos, e todos os bens usados na administração da escola.

Segundo o diretor do barracão, Paulo Machado, os Sprinklers, pequenos chuveiros que são ativados pelas chamas, não funcionaram, permitindo com que o fogo tomasse conta de todo o bloco predial, deixando toda a estrutura condenada. Os barracões atingidos pelo fogo serão demolidos e os bombeiros deram o prazo de trinta dias para que a LIESA elabore e apresente um novo projeto de combate a incêndios.

Devido a este acidente, que não só prejudicou as agremiações atingidas mas a todos os cariocas, a LIESA informou que no desfile do grupo especial de 2011 nenhuma escola será rebaixada do grupo especial e em 2012 duas agremiações descerão para o grupo de acesso A.

Em cada barracão da cidade do samba trabalham centenas de funcionários, muitas vezes dias e noites, de domingo a domingo. Milagrosamente nenhuma pessoa morreu neste desastre ocasionado pela força do fogo. No barracão da Grande Rio, o funcionário Saimon Garcia, praticamente nasceu outra vez. O aderecista estava dormindo no barracão na hora do incêndio, no quarto andar, e conseguiu salvar-se de uma forma incrível. Saimon se jogou do último andar, em desespero, e caiu em cima da quarta alegoria, um carro que representava o folclore do boi de Mamão, e conseguiu sobreviver.

 

Recebi uma ligação no meio da madrugada do Val (chefe de Atelier) dizendo que gostava muito de mim e que iríamos fazer um belíssimo trabalho. Quando eu acordei e vi, pela TV, que o barracão estava pegando fogo, achei que a ligação do Val fosse uma forma de premonição dele pra se despedir de mim! Aquilo não saía da minha cabeça, eu achei que eu ia morrer!
Saimon desabafou em entrevista ao site.

O carnaval que a Grande Rio vinha fazendo para 2011, de acordo com críticos, especialistas e entendedores de carnaval, estava sendo cogitado para ser o grande campeão do desfile das escolas de samba do grupo especial. O enredo Y Jurerê Mirim, a encantadora ilha das Bruxas (um conto de Cascaes), já estava na boca do povo e estava sendo muito bem desenvolvido pelo carnavalesco Cahê Rodrigues, com elementos lúdicos, lendas bruxólicas e muitas surpresas e magia.

Diante de todo este fatídico acontecimento, é possível percebermos a força, a garra e a superação dos torcedores e integrantes da Grande Rio, que a partir de agora trabalharão muito mais para conseguirem fazer um desfile dígno, um espetáculo que a escola de Caxias merece e está acostumada a realizar.

A prefeitura do rio já disponibilizou 1,5 milhões de reais para ajudar a Grande Rio a conseguir superar esta enorme perda e levar seus integrantes e componentes para a Marquês de Sapucaí.

 

Por enquanto, a Grande Rio está usando o barracão número 7, pertencente à LIESA, onde trabalha a partir de agora contra o tempo para conseguir fazer com que a tricolor de Caxias possa fazer seu espetáculo na Apoteose do samba.

Fomos informados pela equipe do carnavalesco da Grande Rio, Cahê Rodrigues que a escola virá, a partir de agora, com 3 carros COM PROPORÇÃO DE CARRO ALEGÓRICO e 4 elementos alegóricos (tripés). Os carros que serão recriados em proporção de alegorias são; o Abre-alas, o carro que representa o fundo do mar e o carro que representa a ponte Hercílio Luz. Todas as fantasias serão refeitas, porém não com o mesmo requinte que as que foram queimadas viriam. A preocupação de toda a equipe do Cahê é possibilitar com que cada torcedor que for desfilar, cada componente que entrar na avenida defendendo a escola, possa vir fantasiado. Obviamente que estas fantasias, que inclusive já começaram a ser reproduzidas, não serão da mesma forma que seriam anteriormente ao incêndio que as destruíram, pois é humanamente impossível refazer um trabalho de quase um ano em menos de trinta dias.

Em virtude deste acontecimento trágico, a ordem do desfile teve alteração;
DOMINGO – 06 de março
01 – São Clemente
02 – Imperatriz Leopoldinense
03 – Portela (*)
04 – Unidos da Tijuca
05 – Unidos de Vila Isabel
06 – Mangueira
SEGUNDA – 07 de março
01 – União da Ilha do Governador
02 – Acadêmicos do Salgueiro
03 – Mocidade Ind. Padre Miguel (*)
04 – Acadêmicos do Grande Rio
05 – Unidos do Porto da Pedra
06 – Beija-Flor de Nilópolis
(*) Houve uma troca entre as duas escolas.

O ensaio técnico de quadra realizado um dia após o incêndio que reduziu o barracão da escola em cinzas, foi uma mostra da garra do torcedor caxiense que lotou a quadra. Em um ensaio emocionante, que contou com a presença da rainha de bateria Cris Vianna, dos atores José Wilker, Raul Gazola, Adriana Lessa e Suzana Vieira, o clima na quadra, no ensaio do dia 08 de fevereiro, foi de esperança, emoção, garra e superação demonstradas por todos que lá estiveram.

Redação: Renan Calabri e Yuri Soares

Samba enredo 2018 GRANDE RIO